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Medo da morte

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 Por Aender Borba Tememos a morte porque ela causa rupturas temporais com tudo a que nos apegamos. Tememos a morte porque queremos ser lembrados, mas nem todos deixaram um legado importante. O que é mais assustador do que lidar a consciência de nossa finitude? Deixe-me te dizer: finitude, não é a morte, mas uma muralha com a qual você e eu nos defrontaremos em um ou em muitos momentos de nossas vidas e que, certamente, teremos muitas dificuldades para transpor. Toda vez que uma situação mostrar o limite do que insistimos não reconhecer, seremos imediatamente alcançados por uma angustia que pode nos levar a sucumbir. Seremos instigados a pensar que o mundo é produto de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica, como cria Schopenhauer. Reconhecer os limites da própria existência é o primeiro passo para superar o medo de não-ser. Uma existência autêntica admite a morte como um fato inevitável, mas não como fim, pois quem crê naquele que ressuscitou dos mortos, ainda que morra, viv

Medo de não ser

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 Por Aender Borba Quem é você? Quantas tempo levamos para construir uma resposta a essa pergunta que “parece” simples, mas não é! Somos impelidos por muitas vozes a pensar a existência a partir do que fazemos, de quanto dinheiro conseguimos acumular ao longo da vida ou com algo a que gostaríamos de parecer. Quanto mais distantes de SER, mais precisamos TER para PARECER que somos. Não-ser se torna uma possibilidade iminente e poderosa de não realizar o sentido da existência. Lembra da pergunta de Hamlet? “Ser ou não ser...?” A questão é de ordem existencial e exige uma resposta que vai implicar em encarar a vida e a morte sem medo. Apesar de ser possibilidade, não-ser é assustadoramente angustiante e desesperador, mas uma proposta sedutora, pois apresenta o mundo com o romantismo ingênuo de que “tudo vai dar certo se eu mentalizar”. O homem moderno perdeu a consciência de onde veio, por isso não tem qualquer referência ao Ser, isso o faz se trancar numa sequência do puro acaso. Criado a

Medo do impessoal

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 Por  Aender Borba Algumas correntes de pensamento ensinam que a melhor maneira de lidar com o medo é agir “como se” não houvesse resposta para ele. Um dos ensinamentos mais consistentes do cristianismo é que Deus é um ser pessoal, ou seja, ele é uma presença [Emanuel] e não uma projeção da mente. Sem um Deus pessoal, os homens estão apenas diante de partículas de energia, disso surge o temor real do impessoal. O psicólogo Karl Gustav Jung disse no final de sua vida que, “Deus não passa de alguma coisa que atravessa minha vontade fora de mim ou surge do inconsciente coletivo dentro de mim. Chame qualquer coisa de Deus e renda-se a ele”. Deixe-me ilustrar para contrapor o pensamento de Jung. Pense, por exemplo, em uma criança com medo de uma situação impessoal: sozinha num quarto escuro e cheia de medo não conseguem pegar no sono. Quando a mãe vai socorrê-la daquela situação, o medo do impessoal é tomado por uma presença que o ajuda a superar o medo. Na ocasião, a mãe não é uma projeção

Tempo e propósito

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 Por Aender Borba Ansiedade, correria, urgência, um estado de alerta constante e a impressão que não há tempo para fazer tudo que é preciso. Essas, talvez, sejam as maiores lutas que precisamos enfrentar nos dias atuais. Discernir a ocasião certa e fazer uso adequado do tempo, quase sempre negando a possibilidade de que algo fuja ao controle, tornou-se tônica de nossas aspirações mais profundas. O que significa reconhecer que "há um tempo certo para cada propósito na vida"? Como eleger uma opção dentre as muitas do "cardápio cotidiano" sem a sensação de que vou me arrepender de não ter escolhido a melhor de todas... (aquela que me trará satisfação eterna)? O sábio ensina que "há tempo para todo propósito", mas, e quando as vicissitudes nos consomem ao ponto de perdermos o bom senso e a conexão com o desfrute do tempo? E quando tudo perde o valor, porque ao invés de viver o tempo, deseja-se monetizar o tempo; apressar o tempo com a velocidade 2x; ou encher