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Mostrando postagens com o rótulo existência

Auto esti(g)ma

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 Por Aender Borba Quando a totalidade da pessoa é estigmatizada, ela perde a capacidade de se definir e de se posicionar no mundo, uma espécie de vitimização, que aprisiona a identidade em grilhões de fracassos contínuos e quase sempre sem a possibilidade de ver uma luz no fim do túnel. "Eu não consigo porque sou doente..." Ser doente é uma definição de totalidade, porque o que eu sou é o que me define em totalidade, mas estar doente pode ser só um limite que eu preciso reconhecer. Alguém pode achar que o contrário do estigma é a auto-estima (exagerada), mas na verdade nada mais é que o lado oposto da despersonalização que o estigma produz. Encher o ego de afirmações positivas sem um senso de realidade sóbrio é terrivelmente adoecedor. O estigma direcionado para o outro polo, mantém a pessoa aprisionada, mas como ela passa a ver só a si mesma, não percebe que a luz não chegou ao calabouço, pois o que a faria livre seria quebrar os grilhões e não somente ver a luz do lado de f

Medo de não ser

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 Por Aender Borba Quem é você? Quantas tempo levamos para construir uma resposta a essa pergunta que “parece” simples, mas não é! Somos impelidos por muitas vozes a pensar a existência a partir do que fazemos, de quanto dinheiro conseguimos acumular ao longo da vida ou com algo a que gostaríamos de parecer. Quanto mais distantes de SER, mais precisamos TER para PARECER que somos. Não-ser se torna uma possibilidade iminente e poderosa de não realizar o sentido da existência. Lembra da pergunta de Hamlet? “Ser ou não ser...?” A questão é de ordem existencial e exige uma resposta que vai implicar em encarar a vida e a morte sem medo. Apesar de ser possibilidade, não-ser é assustadoramente angustiante e desesperador, mas uma proposta sedutora, pois apresenta o mundo com o romantismo ingênuo de que “tudo vai dar certo se eu mentalizar”. O homem moderno perdeu a consciência de onde veio, por isso não tem qualquer referência ao Ser, isso o faz se trancar numa sequência do puro acaso. Criado a

Você tem medo de quê?

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 Por Aender Borba Em geral, considera-se que o medo é a resposta emocional a uma ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura. Manuais de psicodiagnóstico mostram que os ataques de pânico se destacam dentro dos transtornos de ansiedade como um tipo particular de resposta ao medo. De acordo com o filósofo alemão Martin Heidegger, o medo é um convite a impropriedade. Ele nos faz não pensar na morte, deste modo os outros ou as circunstâncias assumem a tarefa de dar o sentido ao que deveria ser propriamente nosso. Ao fazer isso, passamos a viver alienados de nossa condição, com as agendas sempre cheias de distrações para nos ocuparmos de não ter que lidar com o inevitável. Vivemos um sentido impróprio; completamente sem direção e sem finalidade. Sem dúvida, o medo tem seu aspecto sensorial como resposta instintiva a estímulos aversivos, mas não apenas isso. O medo é a renúncia de responder com propriedade e responsabilidade às grandes questões