Duas vias para compreender abuso

 

Por Aender Borba

Você certamente já ouviu falar que "todo abusador já foi abusado". Há de se considerar a veracidade dessa afirmação, mas ela não contribui para que esse ciclo seja quebrado, pois, coloca o foco no abusador e promove uma vitimização passiva que, quase sempre, paralisa a pessoa abusada.


Todo abuso é resultado de uma relação em que uma das partes se considera superior e subjuga a outra, colocando-a numa situação de vulnerabilidade (termo utilizado aqui como o grau de exposição ao risco).

Quando a vítima é coloca em situação de vulnerabilidade, o resultado é:

a) Privação - afetiva, cognitiva, de segurança, de bens, de cultural, social...
A vítima é encarcerada numa lógica de crueldade que a faz sentir-se culpada por não ter coragem de denunciar o algoz. Quanto maior o pavor imposto de forma coercitiva, mais reclusa a pessoa será em si mesma. A privação gera uma "pobreza" de sentido e consequentemente de identidade. O abusador, ao perceber essa vulnerabilidade, se coloca numa posição de poder fere a dignidade da pessoa em todos os níveis.

b) Violação - do corpo, psicológica, de direitos, da dignidade humana, espiritual.
Todo abuso é uma violência! A estrutura da lógica de poder utilizado para destruir a parte mais frágil resulta em várias formas de violência, cada uma com suas características, mas todos elas igualmente destrutivas. O predador nunca se satisfaz em privar a caça, ele quer devorá-la até ver os ossos expostos pelo chão.

Para quebrar esse ciclo é necessário que se reconheçam critérios objetivos do que é um abuso.
Apresento-lhes dois caminhos para começar a pensar sobre esse assunto.

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