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Mostrando postagens de Junho, 2021

Na sala de espera

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 Por Aender Borba Salmo 42:5;11 Situações em que o sofrimento é acentuado pela expectativa de que o socorro chegue são absolutamente angustiantes. Como uma mãe que chega ao pronto atendimento de um hospital com o filho acometido por uma enfermidade grave e o entrega nas mãos da equipe socorrista. A última palavra que ela quer ouvir é: espere! O coração aflito clama por urgência; esperar é insuportável, impossível. Os segundos se convertem em horas de aflição e os pensamentos oscilam entre o eterno e o temporal. Onde está Deus? Esta é a questão daqueles a que tudo se reduz a essa vida; já receberam seu galardão. Não precisam orar, porque se bastam a si mesmos. Os que esperam no Senhor, reconhecem que a única resposta suficiente para aquietar a alma vem de fora e precisa atravessá-la até que se pergunte, quantas vezes forem necessárias: por que estás abatida? Só há um que pode saciar a sede eterna da alma e ele tem poder para tranquilizar o coração de quem passa pelas maiores dores e sof

Suportar é sofrer

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"Em terceiro lugar mencionamos o serviço de carregar o outro. "Carregai o peso uns dos outros, e assim cumprireis a Lei de Cristo"(Gálatas 6.2). Portanto, a lei de Cristo é carregar pesos.  Carregar é sofrer.  O irmão é um fardo para o cristão, justamente para o cristão. Para o pagão, o outro nem chega a se tornar um fardo. Ele evita qualquer encargo por causa dele, porém o cristão tem que carregar o fardo do irmão. Tem que suportar o irmão.  O outro só será irmão quando se tornar um fardo, e só então deixará de ser objeto dominado.  Tão pesado foi o fardo da humanidade ao próprio Deus que sob seu peso acabou na cruz. No corpo de Jesus Cristo, Deus de fato foi afligido pela humanidade. Carregou-a, porém, como a mãe leva uma criança, como o pastor põe no ombro a ovelha perdida. Deus aceitou os seres humanos e eles o esmagaram. Deus, porém, ficou com eles, e eles com Deus. Suportando as pessoas, Deus manteve comunhão com elas. Essa é a lei de Cristo cumprida na cruz. Os cr

O serviço me liberta de mim mesmo

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"O segundo serviço que devemos prestar uns aos outros numa comunidade cristã é colocarmo-nos à disposição para ajudar de  maneira prática. Pensa-se, a princípio, na ajuda simples em coisas pequenas e externas. Existem muitas delas em toda a vida em comunidade. Não há serviço que seja demasiadamente modesto para alguém.  Quem alega não ter tempo a perder com a ajuda externa em coisas pequenas, apenas revela que, na maioria das vezes, dá importância excessiva para seu próprio trabalho.  T emos que nos dispor e permitir que Deus nos interrompa. Constantemente, a cada dia, Deus interferirá em nossos caminhos e planos, colocando à nossa frente pessoas com suas exigências e solicitações. Podemos passar por elas, ocupados com os assuntos importantes do dia, à semelhança do sacerdote na parábola do bom samaritano, quem sabe lendo a Bíblia. Quando procedemos dessa forma, passamos ao largo do sinal da cruz erigido de maneira visível em nosso caminho e que quer nos mostrar que é o caminho de

O amor começa na escuta

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"O primeiro serviço que alguém deve ao outro na comunidade é ouvi-lo. Assim como o amor a Deus começa quando ouvimos a sua Palavra, assim também o amor ao irmão começa quando aprendemos a escutá-lo. É prova de amor de Deus para conosco que não apenas nos dá a sua Palavra, mas também nos empresta o seu ouvido. Portanto, é realizar a obra de Deus no irmão quando aprendemos a ouvi-lo.  Cristãos, e de modo especial os pregadores, sempre acham que têm que "oferecer" algo quando se encontram na companhia de outras pessoas, como se isso fosse seu único serviço. Esquecem que ouvir pode ser um serviço maior do que falar. Muitas pessoas procuram um ouvido atento, e não o encontram entre os cristãos, porque esses falam também quando deveriam ouvir. Porém, quem não consegue mais ouvir o irmão, em breve também não conseguirá mais ouvir a Deus. Estará sempre falando, também perante Deus. Aqui começa a morte da vida espiritual, e no fim restará só o palavreado piedoso, a condescendênci

Escutar, servir e suportar

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Por Aender Borba Revisitando um livro que me marcou muito, na última sessão, Bonhoeffer faz uma síntese da Verdadeira Comunhão em três serviços que deveríamos nos aplicar-lhes com verdade e liberdade. Ele diz: "Perdoar é um serviço que nos prestamos mutuamente diariamente. Acontece sem palavras na intercessão de uns pelos outros; e todo membro da comunhão, que não se cansa desse serviço, pode ter certeza de que também a ele os irmãos prestarão esse serviço. Quem carrega sabe-se carregado, e somente com esta força poderá carregar. Onde estes três serviços, ouvir, servir, suportar, são realizados de forma fiel, lá pode acontecer também o serviço mais elevado e sublime: servir com a Palavra de Deus." (Ditriech Bonhoeffer, Vida em comunhão, p.80, Sinodal.) O serviço realizado fora de Cristo, seja qual for e por mais bonito ou destacado que seja, não passa de uma das muitas formas de autoafirmação e justiça própria, seu fim não é a glória, mas alcançar a glória pelas obras, em out

A tirania da pressa

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 Por Aender Borba Quando um atleta de alto rendimento se prepara para um grande evento esportivo, ele sabe que o caminho a percorrer será de trabalho duro e muitas restrições. O caminho entre o preparo e o dia da competição é marcado por uma espera que o motiva e o faz confiar que todo seu esforço será recompensado de acordo com o seu rendimento. Esta poderia ser uma bela analogia para a vida cristã, desde que se considere uma diferença crucial. Na jornada cristã devemos aprender a confiar mais em Deus e menos em nós mesmos, porque fé exige que perseveremos nas promessas que dele recebemos em sua santa palavra e isso nos faz esperar enquanto prosseguimos. C. S. Lewis diz que “odiamos esperar, porque a espera é uma voz que grita dentro de nós: ‘você não está no controle! ” Dizemos confiar em Deus, desde que ele submeta sua agenda à nossa. O próprio Abraão teve que aprender algo sobre isso quando tentou dar uma “ajudinha” para apressar a promessa. A pressa mata a virtude da espera e forj

Tempo e propósito

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 Por Aender Borba Ansiedade, correria, urgência, um estado de alerta constante e a impressão que não há tempo para fazer tudo que é preciso. Essas, talvez, sejam as maiores lutas que precisamos enfrentar nos dias atuais. Discernir a ocasião certa e fazer uso adequado do tempo, quase sempre negando a possibilidade de que algo fuja ao controle, tornou-se tônica de nossas aspirações mais profundas. O que significa reconhecer que "há um tempo certo para cada propósito na vida"? Como eleger uma opção dentre as muitas do "cardápio cotidiano" sem a sensação de que vou me arrepender de não ter escolhido a melhor de todas... (aquela que me trará satisfação eterna)? O sábio ensina que "há tempo para todo propósito", mas, e quando as vicissitudes nos consomem ao ponto de perdermos o bom senso e a conexão com o desfrute do tempo? E quando tudo perde o valor, porque ao invés de viver o tempo, deseja-se monetizar o tempo; apressar o tempo com a velocidade 2x; ou encher

Fé pra hoje!

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 Por Aender Borba Os ensinos de Jesus foram muito além do que os mais religiosos de sua época poderiam compreender. À época, a mensagem do judeu de Nazaré, para alguns, parecia dura e inatingível, para outros, carregada de vida e de coerência, especialmente porque proclamava um retorno à fé necessária para viver em obediência e devoção um dia de cada vez: "não se preocupem com o dia de amanhã, pois ele trará suas próprias preocupações". Há uma tendência humana de pensar na fé somente quando o futuro está incerto ou quando estamos submetidos às circunstâncias que fogem ao controle. Afinal, quem precisa de fé si possui um emprego estável ou si acumulou um fundo de reserva financeira para os próximos 12 meses? Nada errado com as reservas financeiras e as estabilidades materiais, desde que essas coisas não se tornem a fonte da nossa segurança e, ao se confundirem com a natureza da fé genuína, se tornem fins e não meios que nos mobilizam a obedecer a Deus e sua Palavra, mesmo nas