Tristeza quando abraça o sentido encontra a fé

 Por Aender Borba

“A tristeza é minha companheira constante. Não importa o que eu faça, a tristeza coloca um peso de chumbo sobre minha alma. Onde estão os meus ideais, toda a grandeza, a beleza, toda a bondade, tão estimados outrora pelo meu anseio? Meu coração se acha dominado por um tédio bocejante. Vivo como que jogada a um vazio. Existem momentos nos quais até a própria dor me é recusada. Em meu tormento, clamo por Deus, o Pai de todos. Mas Ele também silencia. No fundo, só desejaria uma coisa: morrer; morrer hoje mesmo, se isso me for possível. Se eu não tiver a consciência dada a mim pela fé, segundo a qual não sou dona de minha vida, já, e muitas vezes, teria me entregado ao vazio.
Nesta fé, começa a transformar-se toda a amargura do sofrimento. Porque aquele que pensa que a vida humana tem de ser um caminhar de êxito, assemelha-se um tolo que meneia um dianteiro de uma construção e se admira que está cavando um abismo onde se deve erguer uma catedral. Deus edifica um templo em cada alma humana. No meu caso, Ele está justamente a cavar o alicerce. Meu dever consiste em aplicar de boa vontade os golpes de Sua pá. ”

Trecho extraído do livro: O sofrimento de uma vida sem sentido. Viktor Frankl.
(Ele se refere a uma paciente cristã, da ordem das “carmelitas”, que descreveia a evolução de sua doença em um diário).

  


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