Sinta raiva, mas não peque

 Por Aender Borba


Para alguns psicólogos e neurocientistas a raiva é uma emoção básica, que pode ser definida como uma pretensão de causar dano e hostilizar alguém. A raiva é um tipo de reação que normalmente é percebida como um gradiente, que vai de uma posição normal até um ponto extremo (...raiva, ira, ódio, cólera...). Em termos comportamentais, o que se percebe e se torna passível de descrição é a manifestação do instinto de agressividade. Certamente, uma pequena dose de ira nos ajuda com o senso de autorrespeito e nos torna capazes de sustentar alguma dignidade. Eu prefiro chamar de "impeto", ou "brio", porque uma traço característico de toda pessoa irada é que ela se sente plenamente justificada no ato violento que comete, mesmo quando não. Quem sente raiva, sente que está correto nos motivos que o levaram a isso. É difícil fugir da ira porque a sua justificativa moral me afasta do estado em que estou. Neste sentido, ela passa ser uma justiça desmedida. A ira é, portanto, a incapacidade de perceber que o fato de eu ter razão não é a unica coisa que existe no mundo e que isso não me dá o direito de destruir tudo e todos. A ira causa um estreitamento nos afetos quando dificulta a empatia (sobre tudo nas redes sociais). A raiva só se vence com o perdão e a misericórdia, pois quem perdoa sai da posição de ódio e vingança, não porque é melhor, mas porque sabe que também merecia ser castigado. 

"...nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." Efésios 2:3


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