Pés no chão e olhos na eternidade

 Por Aender Borba


Uma das mais belas narrativas do texto bíblico está registrada no primeiro livro da Bíblia. É possível que alguém pense que a fé é uma espécie de dispositivo psicológico, desprovido de intencionalidade racional, que serve apenas para lidar com circunstâncias emocionais adversas. Abraão é mencionado na tradição judaico-cristã como "Pai da fé", a razão é que sua biografia, especialmente neste relato, carrega a imagem mais expressiva do que Deus fez pela humanidade ao entregar o seu próprio filho como sacrifício pela salvação. Quero chamar a tua atenção para o drama da jornada. Pense na angústia desse pai ao convidar o filho que tanto ama para oferecer um sacrifício, mas sem levar o animal. Cada pergunta que Isaque fazia era como adaga lhe perfurando o coração. Seria desumano pensar que Abraão seguiu o caminho da montanha com tranquilidade. Agora, imagine a cabeça daquele jovem, que seguia a jornada pegando lenha para o próprio funeral. Com toda certeza, em algum momento, ele percebeu que o pai estava acometido de insanidade mental. Muita gente acredita que fé é um salto no escuro, um mecanismo de negação do sofrimento, algo irracional. A fé é um dom; é a virtude gerada pelo próprio Deus que coloca nossos dois pés no chão, mas os olhos (e o coração) fixos na eternidade. Diariamente, somos convidados a trilhar a jornada angustiante da montanha, quase sempre, não sem dores e sofrimentos, mas na certeza de que "Deus proverá", porque o que não permitiu que Abraão fizesse, ele mesmo fez: "não poupou seu único filho, antes o entregou por todos, então, como não nos dará com ele, e de graça, todas as coisas?"

@aenderborba     

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Retratação Pública - 4 anos depois

Nascerá o Sol da Justiça

Orar com o Salmo 23