Mulher virtuosa no século XXI - versão portuguesa

Por Aender Borba

Ano passado reeditei um texto que foi publicado na revista portuguesa "Lar Cristão" , número 186. Segue o texto ampliado e revisado, em português de Portugal.

psiquiatra suíço, Paul Tournier, diz no seu livro A missão da Mulher, que “a mulher possui o sentido da pessoa, enquanto o homem, o sentido das coisas”. -Mas o que signifca isto? Normalmente, o homem concentra-se nos problemas de forma abstrata e impessoal. Ele sente-se à vontade no mundo das coisas e frequentemente esquece-se das pessoas. Não é difícil perceber que a sociedade ocidental foi edifcada sobre valores reconhecidamente masculinos: objetividade, razão, poder, efciência e rivalidade. O discurso pós-moderno constituiu-se sobre um mundo de coisas, uma máquina perfeita, que transformou as relações em coisas. Experimente ouvir um homem e uma mulher a falarem sobre um acidente de automóvel que viram na televisão. O homem ocupar-se-á em descrever os detalhes do local do acidente, a velocidade a que o veículo circulava, os estragos que o carro sofreu, etc. Certamente, a mulher preocupar-se-á com o estado de saúde das vítimas, a condição física e emocional em que eles se encontram e coisas desse tipo.

Historicamente, os homens são mais direcionados para a competitividade, dominação e luta por status. Eles têm preferência por assumir riscos e geralmente são orientados para objetos e processos  impessoais. De acordo com as estatísticas no campo das ciências humanas, os homens superam as mulheres em algumas tarefas de orientação espacial, como percepção tridimensional e capacidade de fixar um alvo e na compreensão de processos mecânicos, na proporção de 8/1. Em termos filosóficos, o homem constrói o seu enredo baseado no “poder”, demonstrado nas suas realizações. Ele busca o sucesso e quer mostrar isso aos seus pares, o que faz com que trate a mulher como acessório. A lógica do poder orienta-o para o mundo das coisas e para a dominação, mas, entretanto, ele também se caracteriza pela carência da afeição feminina, algo que tenta suprir de várias formas, ao mesmo tempo que tenta esconder o quanto precisa da mulher.

As mulheres, por sua vez, são mais abertas aos relacionamentos; possuem maior  vínculo afetivo com os homens, na expectativa de encontrar o “príncipe encantado” e serem felizes para sempre. Não se pode negar que as mulheres possuem grande abertura para a intimidade, mas esta pode ser uma tendência para construírem a sua identidade de dominação, através da conexão com o masculino. A mulher vê o homem a fazer tudo por ela e esta é uma forma indireta de se afrmar, pois não percebe que precisa de controlar o homem. Poderíamos discorrer por horas sobre as lutas das mulheres ao longo dos séculos e do abuso do poder masculino para as relegar para uma condição de inferioridade.

Se, por um lado, a cultura vem sendo estimulada pelas lutas por igualdade de direitos, precisamos de reconhecer que os homens falharam ao abusar do poder, maltratando as mulheres, pois deveriam utilizá-lo para cuidar delas. Por outro lado, a mulher do século XXI deve-se imbuir da missão de devolver ao mundo o sentido da pessoa. Não ceder às exigências deste mundo gelado de rivalidade, e interesse e disposição para o cuidado de crianças e de pessoas em geral. Elas superam os homens na orientação espacial e localização de objetos; são melhores em cálculo aplicado e superam os homens em habilidades verbais incluindo, soletração, gramática e leitura. De modo geral, as mulheres modernas constroem o seu enredo baseado num ideal romântico, ou seja, elas sentem-se realizadas e seguras quando estabelecem um devolver a alma a esta sociedade mecanizada. Em vez de se alimentar de ambição por autonomia e autorrealização pessoal, transgredindo a sua conformação identitária, realizar-se em Deus. 

A mulher virtuosa não precisa de ser feminista, mas feminina, contribuindo com o seu olhar, competências e sensibilidade nos diversos espaços que conquistou. Sobretudo, ela deve-se lembrar de responder à chamada para glorifcar a Deus numa relação de complementaridade indissolúvel com o homem; naquilo que constitui o fundamento da pessoa, “ser a imagem de Deus”; evocando assim a mesma relação harmoniosa e plena que reconhecemos nas três PESSOAS das Trindade.



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