Aprender a ler, voltar a sonhar: um caso.

Por Aender Borba

No ano de 2012, eu e meu amigo, Igor Miguel, coordenador pedagógico da OMCV, provocados pela triste realidade com que lidávamos (e lidamos até hoje),  de ver nossos educandos privados do doce privilégio de conseguir ler e compreender um texto simples, tivemos a ideia de criar um projeto de letramento e alfabetização para enfrentar aquela situação.
Hoje o Só-Letrar é um programa consolidado e tem se mostrado extremamente eficiente. Com material adequado para níveis diferentes de intervenção e temas selecionados para contextos de vulnerabilidade social, o programa vem mostrando seu alto poder de transformar essa triste realidade. 

No final do ano passado, recebi um e-mail do projeto social onde aplico o Só-Letrar, agradecendo e reconhecendo o valor do trabalho. O teor do e-mail era o seguinte: "hoje recebemos um comunicado da escola do JP (adolescente em situação de abrigamento, 17 anos e aluno do EJA) perguntado o que estávamos fazendo para melhorar sua leitura e escrita, pois ele saltou, no semestre, do conceito E para C? Respondemos que não estávamos fazendo nada, mas ele vem participando regularmente das oficinas da OMCV desde o início do ano."
Ao ler este e-mail fiquei profundamente emocionado e com a sensação de que não há nada melhor do que ver o fruto do seu trabalho trazendo mudanças significativas nas estruturas caídas desse mundo cinzento. 

SDG!!