Abuso sexual infantil - entrevista

Por Aender Borba

Tive a honra de receber um convite para falar sobre um tema que te me seguido desde que me formei na graduação. Agradeço a gentileza e o carinho da querida Cibele Sugano por conduzir tão o programa na TV Câmara de Jacareí com temas tão relevantes para a sociedade.

Espero que traga contribuições para quem lida ou enfrenta algo relacionado à temática!









Um tipo de espiritualidade restritiva

Por Aender Borba

Um fenômeno que chama muito a minha atenção é o ímpeto religioso que move as pessoas em direção àquilo que elas amam. Esse impulso original apresenta-se como uma força incontrolável que atrai com potência descomunal o "coração" obrigando-o a se conectar com o objeto de seu desejo, geralmente, algo que forneça repostas às demandas mais interiores da existência. É inegável que este fenômeno está presente em cada um de nós, embora manifeste-se de maneiras distintas.

Fiquei pensando também como uma fé publicamente expressa e vivenciada com consciência e intencionalidade tem um poder de influenciar a crença dos outros. Lembro-me de quando estava na faculdade, alguns professores demonstravam mais do que conhecimento da área que lecionavam, eles introduziam conceitos com tanta veemência e paixão, que eram capazes de convencer de que aquela era a única "verdade" sobre os fatos. Certa vez, um professor, por quem ainda nutro respeito e admiração, embora não tenhamos mais contato, explicando sobre sua forma de enxergar o mundo e como construiu suas bases de pensamento disse que era materialista-histórico-dialético. Recém chegado ao ambiente acadêmico, aquilo me pareceu uma boa opção a seguir, pois o único critério que julguei fazer sentido naquela ocasião era que o professor era uma espécie de representante daquilo que eu poderia almejar ser um dia. Confesso que sua capacidade retórica, mas sobretudo a paixão e eloquência com que transmitia seus conhecimentos (quase) me seduziram. O que mais me atraída era perceber a firmeza com que ele transmitia suas crenças, como se não precisasse de ninguém para lhe explicar nada, como se tivesse encontrado algo que da respostas a todas as perguntas mais íntimas da alma humana. Eu não sabia, mas estava diante de um sujeito que encontrou respostas "religiosas" suficientemente fortes para lhe causar a sensação de autorrealização e autossuficiência. Ele confiava na ciência como todo devoto confia em seu deus.

É interessante fazer este tipo de observação e nos questionarmos sobre os motivos pelos quais muitos cristãos quando entram nas faculdades abandonam ou fé. Mas seria isso mesmo? Será que a fé foi construída e solidificada na vida desta pessoa? Como se perde algo que não se tem?

Uma resposta possível é percebido no modelo de espiritualidade legalista-fundamentalista. Ele acha que pode "proteger" quando na verdade está violando o direito das pessoas a expressarem a verdeira liberdade que os filhos de Deus recebem na nova vida com Cristo (João 8:36). Esse tipo de espiritualidade, muito comum em muitas igrejas de várias tradições, impõem às pessoas uma compreensão restritiva, obscurecida e contraditória da realidade. Meu argumento é que proibir é a estratégia mais fácil para lidar com este problema, pois ensinar, discipular, mentorear ou pastorear dá muito trabalho e parece ser pouco efetivo (dentro dos moldes do pragmatismo moderno), pois exige relacionamento e convivência e isso leva tempo e investimento; ou seja, dá muito trabalho! Na minha modesta opinião, a estratégia de privar alguém de sua liberdade é o meio mais fácil de lidar com o fardo pesado de não se ter todas as respostas e nem querer saber onde encontrá-las. Líderes cristão se tornaram anti-intelectuais porque têm preguiça de estudar. Se tornam legalistas porque não querem se envolver com outras áreas do conhecimento, por isso é mais conveniente achar um versículo (muitas vezes descontextualizado) para das respostas rasas, anacrônicas e sem a menor interesse na realidade dos fatos trazidos até ele.

 O número de líderes cristãos (pastores) que nunca estudaram teologia ou qualquer outro tipo de saber é assombroso. O índice de analfabetismo entre cristãos é altíssimo. Tudo isso regado por um triunfalismo esquizofrênico, que faz o sujeito pensar que é superior aos demais pelo simples fato de ter ido ao culto do último domingo. A insanidade é tamanha, que faz sujeito pensar que será aprovado em uma prova de concurso sem nunca ter lido uma linha sobre o assunto. Alguns poucos, quando superam essa fase, chegam completamente despreparados nas universidades, muitas vezes com a sensação de que não são capazes porque são pobres, negros, não tiveram as mesmas oportunidades ou estudaram em escolas públicas. Pode haver alguma verdade nisso, e não quero desconsiderar o que estudos sociológicos apontam com certa precisão, mas o fato é que a igreja perdeu o poder de formar pessoas para a vida pública. A luz que deveria brilhar para tornar Deus conhecido (Mt 5:16) fica ofuscada pelos holofotes da própria ignorância. Talvez seja por isso que um professor ateu demonstre mais paixão pelo seu deus (ele mesmo ou o aparato científico) do que um cristão, que deveria, mas não tem as respostas para as grandes questões da vida, não sabe dar as razões da sua esperança e nem arrazoar sobre qualquer tema fora do campo religioso. Isso é falta de uma teologia que seja radicalmente libertadora, profundamente bíblica, evangélica, cristocêntrica, trinitária, ortodoxa, que se conecte com a vida. Não faze sentido estudar a Bíblia para ficar enclausurado entre quatro paredes cantarolando músicas gospel o dia inteiro. Deus nos chamou para proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (I Pe 2:9-10).

A espiritualidade legalista-fundamentalista evoca para si algo que só Cristo pode realizar: libertar o homem! Sob o argumento de ser bíblico, pode, muitas vezes, não estar sendo mediado por Jesus. E aí está a falha (o ídolo). Nossas igrejas precisam ser menos hostis em oferecer respostas honestas àqueles que desejam expressar suas dúvidas. Pastores e líderes cristãos (me incluo nessa lista): deixemos a preguiça da trivialidade nas respostas que têm chegados a nós, especialmente através de nossos jovens. Enquanto permanecermos alheios à importância da ortodoxia simultaneamente às demandas existenciais, culturais de nossa época, incorremos no risco de sermos abusivos, privando as pessoas da verdade e consequentemente de sua liberdade em Cristo ou de sermos ingênuos, lamentando a perda das ovelhas para os lobos ferozes da cultura contemporânea.

Minha oração é que Deus levante homens comprometidos com a verdade evangélica e engajados com a vida pública. Bons pastores, que consigam absorver os conceitos teológicos e que sejam capazes de aplicá-los às circunstâncias práticas da vida. Líderes que assumam o compromisso de buscar meios para dar respostas honestas em suas comunidades para as questões mais difíceis que possam aparecer, sem abrir mão da luz que emana das Escrituras, que ilumina a realidade de forma bela e carregada de sentido. Homens que causem admiração pela firmeza de sua fé, pelo caráter irreparável, pela inteligência criativa, pela piedade amorosa, pela devoção despretensiosa, tudo isso recebido por graça daquele que nos libertou do império das trevas e nos redimiu por seu sangue.

Casamento - onde erramos?

Neste vídeo falamos sobre os desafios da vida conjugal. A palavra de ordem é "alteridade", sem ela não se constrói um relacionamento saudável!!

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